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Cirurgia bariátrica pode melhorar função cerebral após perda de peso

Postado por em Cirurgia da Obesidade no dia outubro 15, 2014


Estudo da Universidade de São Paulo publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism recebeu destaque na imprensa internacional. A investigação acompanhou o funcionamento do cérebro de pacientes antes e depois de uma cirurgia bariátrica. Segundo Dra. Marcela Ferrão, os resultados sugerem que o cérebro, de fato, se beneficia da operação, embora os efeitos medidos ainda sejam considerados modestos.

Várias pesquisas têm demonstrado declínio da função cerebral em pessoas obesas e uma maior associação com algum tipo de demência. Em comparação com as pessoas magras, aqueles que estão acima do peso são 26% mais propensos a desenvolver algum tipo de demência e aqueles que são obesos são 64% mais propensos desenvolver doenças desse tipo.

No estudo brasileiro, os pesquisadores recrutaram 17 mulheres com obesidade grave que planejavam fazer o bypass gástrico, um procedimento que reduz o estômago e desvia alimentos, passado uma boa parte do intestino delgado, a fim de reduzir a quantidade de calorias e nutrientes que o corpo pode absorver a partir de alimentos.

O índice médio de massa corporal para as 17 mulheres foi de 50,1. Seis meses após a cirurgia, o IMC médio caiu para 37,2 – ainda alto o suficiente para ser classificado como obeso.

Antes de se submeterem à cirurgia, as mulheres realizaram um teste de QI e seis testes adicionais para avaliar memória e função executiva (como o Stroop Color Test, o Teste de Wisconsin e da Figura Complexa de Rey Test), além de exames de sangue e PET para que os pesquisadores pudessem medir a atividade metabólica no cérebro.

Outro grupo de 16 mulheres serviu de grupo de controle. Suas idades e níveis educacionais eram essencialmente os mesmos que para as mulheres obesas, mas seus IMCs eram muito mais baixos (22,3, em média). As mulheres magras fizeram todos os mesmos testes que as mulheres obesas.
Descobriu-se que as mulheres em ambos os grupos se saíram igualmente bem em testes cognitivos. Mas, em comparação com os resultados iniciais, as mulheres obesas melhoraram em um dos testes – o Trail Making Test – depois da cirurgia.

Antes das cirurgias, os cérebros das mulheres obesas pareciam estar trabalhando mais do que os cérebros de mulheres magras. Isso era especialmente verdadeiro em áreas do hemisfério direito que se tornam ativas quando as pessoas têm de compensar o declínio cognitivo, explicam os pesquisadores. No entanto, após as cirurgias, estas diferenças “não eram mais notadas”, acredita-se.

Estudos anteriores demonstram que o aumento crônico do metabolismo cerebral pode ser deletério para os neurônios, contribuindo para perda neuronal.

Ser obeso aumenta o risco de doença de Alzheimer, em porcentagem semelhante ao efeito de ter uma variação genética a versão e4 do gene APOE. Embora seja impossível mudar o seu gene APOE, a boa notícia para os obesos é que eles provavelmente podem reduzir o risco de declínio cognitivo ao perder peso.

Changes in Neuropsychological Tests and Brain Metabolism After Bariatric Surgery.

Published Online: August 26, 2014

 

 

 


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