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Estudo publicado no Journal of Pediatrics mostra que crianças com sobrepeso ou obesas no início da infância, têm maior risco de desenvolver sinais de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). A pesquisa é a primeira a associar sobrepeso ou obesidade no início da infância e à saúde do fígado.

De acordo com a Dra.Jennifer Woo Baidal, da Columbia University Vagelos College of Physicians and Surgeons, em Nova York (EUA), com o aumento da obesidade infantil é possível ver mais crianças com doença hepática gordurosa não alcoólica nas clínicas pediátricas que atuam no controle de peso. “Muitos pais sabem que a obesidade pode levar ao diabetes tipo 2 e a outras condições metabólicas, mas há muito menos conhecimento de que a obesidade, mesmo em crianças pequenas, pode levar à doença hepática grave”, acrescentou Jennifer.

Cerca de 10% das crianças e adolescentes nos Estados Unidos passaram a sofrer de DHGNA, uma condição na qual a gordura se acumula no fígado e interfere na função deste órgão. Embora geralmente assintomática, a DHGNA pode levar as crianças a apresentarem mais problemas de saúde, incluindo cirrose hepática e câncer hepático. Os fatores de risco incluem excesso de peso/obesidade, idade avançada, ascendência asiática, etnia hispânica/latina, e ser do sexo masculino.

Outros estudos analisaram o efeito do sobrepeso/obesidade na DHGNA em crianças maiores e adolescentes. No entanto, poucos estudos analisaram a questão no início da infância.

Análise dos dados

Para avaliar como o sobrepeso/obesidade afeta no aparecimento de doença hepática, os pesquisadores avaliaram 635 crianças do estudo prospectivo Project Viva em Massachusetts (EUA). Os participantes eram 48% meninas e 51% de meninos. Desse grupo, 59% eram brancos, 21% negros, 6% hispânicos/latinos e 3% asiáticos.

Para ter parâmetros, os pesquisadores mediram peso, altura, dobra cutânea e a relação entre circunferência abdominal e do quadril em crianças com três anos de idade e, novamente, aos oito anos. Eles também mediram os níveis séricos de alanina aminotransferase (ALT), que consideraram um indicador de DHGNA. Alguns especialistas recomendaram a medição dos níveis de ALT como forma de rastrear a DHGNA em crianças em risco. Estudos em adolescentes associaram níveis elevados de ALT a resistência à insulina e a disfunção metabólica.

Resultados do estudo

Os resultados mostraram que 29% das crianças (de três anos de idade) estavam com sobrepeso ou obesas. No geral, 23% das crianças de oito anos tinham níveis elevados de ALT e as taxas variaram nos casos de sobrepeso ou obesidade. Os níveis de ALT estavam elevados em 22,5% dos obesos (de oito anos de idade) em comparação com 12,5% daqueles com peso normal.

A ALT elevada na metade da infância também foi associada a níveis mais altos de resistência à insulina, o que foi parcialmente explicado pelo aumento do índice de massa corporal.

Análises ajustadas para vários fatores de confusão, incluindo raça/etnia e renda familiar sugeriram que para cada aumento adicional de 10 cm na circunferência abdominal aos três anos, a chance de ter ALT elevada aos oito anos quase dobrou.

Com base nesses resultados, os autores propõem rotineiramente medir a circunferência abdominal para avaliar o risco de diabetes e doenças do fígado e do coração em crianças. O aumento da circunferência abdominal foi associado ao aumento do risco de problemas crônicos de saúde, como diabetes e doenças cardíacas. A investigação sugere que os médicos devem ter como alvo a primeira infância para prevenir obesidade pediátrica, doenças hepáticas e distúrbios metabólicos.

Fonte: O estudo foi financiado pelos National Institutes of Health e pela Robert Wood Johnson Foundation. J Pediatrics. Publicado on-line em 4 de abril de 2018.

Link para estudo original: https://bit.ly/2jjyNZ4