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Os riscos da chamada dieta do hCG baseada em um regime hipocalórico e em aplicações do hormônio da gravidez está mobilizando especialistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Segundo a Dra. Marcela Ferrão, membro da SBEM, além de não promover o emagrecimento, o hCG utilizado para esses fins coloca a saúde em risco, com efeitos que vão de trombose a dificuldades para engravidar.

Mesmo diante do perigo, diversos usuários são atraídos pela promessa de uma rápida perda de peso sem riscos para a saúde. O hormônio é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas em tratamentos de fertilização. A prescrição da substância sem receita e a importação do produto sem licença são consideradas infrações sanitárias.

O esquema combina injeções diárias com um regime quase de fome, e os pacientes, na maioria mulheres, são muitas vezes atraídos por promessas de que poderiam perder cerca de um quilo por dia sem ficar famintos. E, o que talvez soe ainda mais sedutor, frequentemente ouvem que o hCG tornará seus corpos aptos a eliminar e metabolizar a gordura armazenada nos lugares mais indesejáveis – antebraços, barriga e coxas.

A popularidade da dieta tem despertado, a Food and Drug Admi­­­nis­­tration (FDA) (agência americana de regulação dos setores de alimentos e remédios) advertiu em janeiro que versões “homeopáticas” do hCG, como pastilhas e sprays, vendidos pela internet e em algumas lojas de alimentos naturais, são ilegais e fraudulentas por afirmarem que têm propriedades eficazes na perda de peso.

Administrada sob prescrição, a forma injetável do hCG, sigla em inglês para gonadotrofina coriônica humana, é aprovada como tratamento para infertilidade: nesse caso os médicos po­­­dem prescrevê-la legalmente. Mas para uso não previsto em bula, médicos receitam hCG como auxiliar na perda de peso.

Recentemente, a agência americana recebeu um relato sobre um paciente que, submetido à dieta hCG, teve uma embolia pulmonar. De acordo com a FDA o hormônio apresenta riscos que vão de coágulos sanguíneos à depressão, dores de cabeça e sensibilidade ou aumento dos seios.

Perigos da dieta

Em média, os adultos devem consumir normalmente de 2.000 a 2.800 calorias por dia. Até mesmo dietas prescritas por médicos raramente ficam muito abaixo de 1000 calorias por dia. Consumir 500 calorias por dia irá resultar na  perda de peso, e isso ocorre independentemente se o indivíduo tomar o HCG ou não.

Infelizmente, essa reduzida ingestão calórica tem um impacto dramático sobre a saúde. A dieta de 500 calorias é a principal responsável pelos perigos da dieta HCG, que incluem cálculos biliares, fadiga, batimento cardíaco irregular, prisão de ventre, embolia pulmonar, diarreia e tonturas.

Posicionamento oficial

O posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) em relação à utilização da Gonadotrofina Coriônica Humana (hcG) para tratamento da obesidade.

Considerando que muitos médicos estão administrando hCG para pacientes que querem emagrecer, alegando sua eficácia para tal propósito;

Considerando que não há nenhuma evidência científica que hCG seja útil no tratamento da obesidade (pelo contrário, o que se tem de evidências é que não tem nenhuma eficácia);

Considerando que o tratamento com hCG pode ser deletério para os pacientes podendo levar a graves consequências clínicas, conforme documentada na literatura médica;

A SBEM e ABESO se posicionam frontalmente contra a utilização de hCG com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potencias riscos à saúde.

Fonte: 

  1. Pektezel MY, Bas DF, Topcuoglu MA, Arsava EM. Paradoxical consequence of human chorionic gonadotropin misuse. J Stroke Cerebrovasc Dis. 2015 Jan;24(1):e17-9. 
  2. Thellesen L, Jørgensen L, Regeur JV, Løkkegaard E. [Serious complications to a weight loss programme with HCG.]. Ugeskr Laeger. 2014 Jul 21;176(30). 
  3. Lempereur M, Grewal J, Saw J. Spontaneous coronary artery dissection associated with β-HCG injections and fibromuscular dysplasia. Can J Cardiol. 2014 Apr;30(4):464.e1-3. 
  4. Sanches M, Pigott T, Swann AC, Soares JC. First manic episode associated with use of human chorionic gonadotropin for obesity: a case report. Bipolar Disord. 2014 Mar;16(2):204-7. 
  5. Goodbar NH, Foushee JA, Eagerton DH, Haynes KB, Johnson AA. Effect of the human chorionic gonadotropin diet on patient outcomes. Ann Pharmacother. 2013 May;47(5):e23.