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Um novo estudo demonstra que os pacientes com hipercolesterolemia familiar (HF) – alteração que pode afetar igualmente os dois sexos alterando os níveis de colesterol  desde o nascimento – tem uma redução significativa do risco de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação aos seus parentes que não em essa doença. As descobertas lançam uma luz sobre o impacto do colesterol no metabolismo da glicose e, potencialmente, dão uma pista sobre a razão pela qual as estatinas (medicamentos para reduzir o colesterol) podem aumentar o risco para o diabetes.

Em uma análise com mais de 60 mil indivíduos holandeses, entre 2004 e 2014, a prevalência do diabetes de tipo 2 foi 38% menor em pacientes com hipercolesterolemia do que seus familiares sem a patologia. Além disso, houve uma relação inversa entre a severidade da mutação do gene que causa a doença e a prevalência de diabetes tipo 2.

Embora os resultados sejam considerados importantes para pacientes com HF, a equipe da Associação Médica Americana sugere, em seu relatório, que um dos aspectos importantes desse trabalho é o potencial que o estudo oferece para uma visão mais ampla sobre a relação entre o receptor de LDL (mau colesterol) e o risco de diabetes tipo 2.

Os especialistas da Universidade Glasgow, na Escócia, David Preiss  e Naveed Sattar explicam que os resultados dessa investigação apontam para uma interação complexa entre os lipídios, glicemia, adiposidade e o aumento do risco de diabetes com a terapia das estatinas. A investigação é uma prova importante para fortalecer a relação entre a terapia com estatinas e o risco para o diabetes. No entanto, isso não deve alterar a orientação em relação ao uso desses medicamentos importantes em pacientes com risco cardiovascular elevado, considerando o benefício global da terapia com estatinas.

As conclusões e a relevância dessa análise mostram que a prevalência do diabetes tipo 2 em pacientes com hipercolesterolemia familiar foi significativamente menor do que entre os parentes não afetados, com variabilidade por tipo de mutação. Se a descoberta for confirmada na análise mais apurada irá aumentar a possibilidade da existência de uma relação causal entre LDL e diabetes tipo 2.

Fonte:

Association Between Familial Hypercholesterolemia and Prevalence of Type 2 Diabetes Mellitus.

Joost Besseling, MD1; John J. P. Kastelein, MD, PhD1; Joep C. Defesche, PhD2; Barbara A. Hutten, PhD, MSc3; G. Kees Hovingh, MD, PhD1, 2015.

Link: http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2190985