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A ligação entre câncer e dieta é tão misteriosa como a própria doença. Muitas pesquisas apontaram para certos alimentos e nutrientes que podem ajudar a prevenir ou, inversamente, contribuir para desenvolver certos tipos de câncer. Embora existam muitos fatores que não podem ser alterados, como a genética e o meio ambiente, existem outros que você pode controlar. Estimativas sugerem que menos de 30% do risco vitalício de uma pessoa de obter câncer resulta de fatores incontroláveis. O resto você tem o poder de mudar, incluindo sua dieta.
Importante destacar que a maioria das pesquisas apenas aponta para associações entre dieta e câncer, e não necessariamente uma relação de causa e efeito. “Não é 100% certo que consumir mais ou menos determinados alimentos ou nutrientes garantem proteção contra câncer”, diz o Dr. Edward Giovannucci da Escola de Saúde Pública de Harvard (EUA). Porém, a ciência descobriu que certos hábitos alimentares tendem a ter uma maior influência”.

Alguns exemplos:
Carne processada e vermelha
De acordo com o Dr. Giovannucci, a conexão entre carne processada e o câncer é consistente. Por exemplo, cerca de 30 estudos prospectivos de câncer colorretal (terceiro câncer mais diagnosticado em homens) constataram que comer cerca de 50 gramas por dia de carne processada está associado a um aumento de cerca de 20% no risco de câncer colorretal. Os fatores de risco são semelhantes também para a carne vermelha.

Antioxidantes
Os antioxidantes, sem dúvida, são importantes para a prevenção do câncer, pois ajudam a neutralizar os radicais livres que podem danificar as células. Mas a dúvida maior é se os riscos diminuem por meio da dieta ou pelos suplementos. Até agora, a pesquisa para apoiar a relação “mais é melhor” não foi comprovada, diz o Dr. Walter Willett da Escola de Saúde Pública de TH Chan. “Nós ainda não sabemos quanto tempo será necessário tomar antioxidantes extras para que os benefícios sejam vistos”, afirma Willett. Ainda assim, é importante consumir alimentos com alto teor de antioxidantes, pois eles também oferecem outros benefícios, como a melhoria da saúde cardiovascular. O especialista ressalta que as pessoas devem preparar um prato colorido. “Concentre-se em cores brilhantes, como frutas e vegetais verdes, laranja, roxas e vermelhas, espinafre, cenouras e tomates”, destaca.

Índice glicêmico
Os carboidratos podem ser bons ou ruins, dependendo da fonte. O índice glicêmico (IG) é uma medida que nos aponta essa relação. Um estudo de 3.100 pessoas, apresentado no fórum de Biologia Experimental em 2016, descobriu que consumir alimentos com IG alto (70 ou superior na escala GI de 100 pontos) estava associado a um risco 88% maior de câncer de próstata, o que também inclui refrigerantes açucarados e alimentos processados como a pizza.
Por outro lado, comer alimentos com menor IG como legumes (feijão, lentilhas e ervilhas) estava relacionado com um risco 32% menor de câncer de próstata e colorretal. Outro estudo, publicado em março de 2015 em “Epidemiologia do Câncer, Biomarcadores e Prevenção”, relacionou uma dieta de alto valor glicêmico com câncer de pulmão. O estudo mostrou um aumento de risco de quase 50% entre as pessoas com a dieta GI mais elevada em comparação com as que apresentaram o menor índice de risco.

Cálcio
Algumas evidências sugerem que uma maior ingestão de cálcio pode reduzir o risco de câncer, especialmente o câncer colorretal. Os pesquisadores acreditam que o cálcio se liga a ácidos biliares e ácidos graxos no trato gastrointestinal. Isso funciona como um escudo para proteger as células dos ácidos prejudiciais do estômago. No entanto, outras pesquisas mostraram que o consumo extra de cálcio (2.000 miligramas (mg) ou mais por dia) pode estar relacionado a um maior risco de câncer de próstata.
Para Dr. Edward Giovannucci, é melhor apostar numa ingestão diária de cálcio de 500 mg a 1.000 mg por dia, seja de alimentos como produtos lácteos ou suplementos.

Ganho de peso e câncer
Outra maneira de olhar para o papel da dieta na prevenção do câncer é em termos de controle de peso. A modificação da sua dieta pode manter seu peso sob controle, o que oferece ainda mais proteção. Um estudo de 2014 na RevistaThe Lancet constatou que um maior índice de massa corporal aumenta o risco de desenvolver alguns dos cânceres mais comuns. Os cientistas descobriram que entre cinco milhões de pessoas estudadas, o ganho de peso estava relacionado com um risco aumentado de 10% para o câncer de cólon, vesícula, rim e hepático. E qual a conexão entre eles? Os especialistas dizem que a gordura corporal produz hormônios e proteínas inflamatórias que podem promover o crescimento de células tumorais.

Fonte: Harvard Men’s Health Watch