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Um terço dos casos de demência pode ser prevenido com modificações de estilo de vida

Postado por em estilo de vida no dia agosto 10, 2017


Um novo artigo elaborado pela The Lancet Commission on Dementia Prevention, Intervention and Care (Comissão sobre prevenção, intervenção e tratamento da demência do Lancet), neste mês de agosto, constatou que mais de um terço dos casos de demência no mundo pode ser evitável ​​ao abordar nove fatores de estilo de vida que modificam o risco individual. O trabalho foi apresentado na Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2017 e publicado simultaneamente no periódico The Lancet, sendo compilado por 24 especialistas internacionais no campo da demência, que revisaram a literatura disponível na área e realizaram uma nova meta-análise que incluiu alguns fatores de risco não considerados nas análises semelhantes feitas anteriormente.

Os pesquisadores descobriram que nove fatores de estilo de vida são responsáveis ​​por 35% do fardo da demência. Esses fatores são: não completar o ensino secundário no início da vida; hipertensão; obesidade e perda de audição na meia idade; e tabagismo, depressão, inatividade física, isolamento social e diabetes na vida adulta.

O relatório também aborda as intervenções e estratégias de tratamento baseados em evidências para os pacientes com demência e comprometimento cognitivo.

Terapia não farmacológica

A comissão também examinou o efeito de intervenções não farmacológicas para pessoas com demência e concluíram que elas têm um importante papel no tratamento, especialmente quando tentam controlar a agitação e a agressão.

“Drogas antipsicóticas são normalmente usadas para tratar a agitação e a agressão, mas há uma preocupação considerável com essas drogas, porque elas aumentam o risco de morte, de eventos cardiovasculares adversos e infecções, sem falar da sedação excessiva”, afirmou Schneider.

As evidências indicaram que as intervenções psicológicas, sociais e ambientais, como a promoção do contato social e de atividades coletivas tiveram um resultado melhor que os medicamentos antipsicóticos para tratar os sintomas de agitação e agressão associados à demência.

O estudo mostrou ainda que intervenções não farmacológicas como terapia de estímulo cognitivo de grupo e exercícios conferem também algum benefício à saúde mental dos pacientes.

Dez aspectos fundamentais do relatório para os médicos:

  • O número de pessoas com demência está aumentando em todo o mundo, embora a incidência em alguns países tenha diminuído.
  • Prevenção é o caminho. As recomendações englobam tratamento ativo da hipertensão; melhorar a educação infantil, exercício, engajamento social; reduzir o tabagismo e tratar a perda auditiva, a depressão, o diabetes e a obesidade.
  • Tratar os sintomas cognitivos. Para otimizar a cognição, as pessoas com doença de Alzheimer ou demência com corpos de Lewy devem receber inibidores da colinesterase em todas as etapas, ou memantina na demência grave. Os inibidores da colinesterase não são eficazes no comprometimento cognitivo leve.
  • Individualizar o tratamento da demência. O bom tratamento da demência deve ser adaptado às necessidades, preferências e prioridades individuais e culturais únicas, e deve incorporar o suporte para os familiares que cuidam do paciente.
  • Cuide dos familiares que cuidam dos pacientes. Os familiares estão em alto risco de depressão. Deve-se disponibilizar intervenções eficazes para reduzir o risco de depressão e tratar os sintomas.
  • Planeje o futuro. Pessoas com demência e as famílias delas valorizam as discussões sobre o futuro e as decisões sobre possíveis advogados para tomar decisões. Os médicos devem considerar a capacidade de tomar diferentes tipos de decisões no momento do diagnóstico.
  • Proteja as pessoas com demência. Esses pacientes precisam de proteção contra a autonegligência, a vulnerabilidade (incluindo a exploração), a administração financeira, a condução de veículos ou o uso de armas. A avaliação e o gerenciamento dos riscos em todas as fases da doença são essenciais, mas devem ser ponderados em relação ao direito da pessoa à autonomia.
  • Tratar os sintomas neuropsiquiátricos, como agitação, humor deprimido ou psicose. O tratamento geralmente deve ser psicológico, social e ambiental, com a terapia farmacológica reservada para os pacientes com sintomas mais graves.
  • Considere o fim da vida. Um terço das pessoas mais velhas morre com demência, por isso é essencial que os profissionais que trabalham no tratamento de  pessoas no fim da vida considerem se os pacientes têm demência – eles podem não conseguir tomar decisões sobre o próprio tratamento ou expressar as próprias necessidades e desejos.
  • As intervenções tecnológicas têm o potencial de melhorar a assistência, mas não devem substituir o contato social.

Fonte: 

Dementia prevention, intervention, and care

Prof Gill Livingston, MD

Link do artigo original: http://bit.ly/2vTuYBs


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